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Um brevíssimo tratado sobre o amor

Postado por Prof. Renato Lima. .

amor

Encontrei esse texto em uma das minhas pesquisas diurnas  na Internet. Estava, eu, aqui enamorado buscando explicações para a existência desse tão conturbado sentimento que nos faz perder a razão e encontrei esse maravilhoso texto, poderia ser melhor trabalhado, mas já gostei da iniciativa de Milena Azevedo.  Como disse uma vez um monge: “o amor nos turva… ” [Bela colocação]

Um brevíssimo tratado sobre o amor
por Milena Azevedo

O amor já foi deveras cantado, estudado, desprezado, endeusado por tantos – notórios e desconhecidos –, ao longo das primaveras dos tempos. Tentou-se até ensinar o amor em manuais. No entanto, nem o Kama Sutra e muito menos Ovídio, conseguiram dar conta da sua essência. Aqueles que chegaram mais perto, foram os que optaram pela interrogação. Mas somente os loucos, desafiando toda e qualquer convenção, foram capazes de falar sobre o amor são.

Se me perguntas sobre o mais nobre dos sentimentos, só posso responder-te na penumbra de um quarto, balançando-me em uma rede, ao som de Van Morrison ou de Roy Orbison.

Concordo com Rilke, para quem o amor é antes de tudo uma aprendizagem. Para o referido poeta, amar não é simplesmente “entregar-se, confundir-se, unir-se a outra pessoa”, mas sim “uma ocasião sublime para o indivíduo amadurecer, tornar-se algo em si mesmo, tornar-se um mundo para si, por causa de um outro ser”. Em outras palavras, o amor faz com que nós nos conheçamos melhor e aprendamos a conhecer o outro, porque cada um de nós somos um todo, não uma metade a ser completada.

Talvez o escritor francês Michel Houellebecq tenha razão quando escreve que o amor é um “fenômeno raro, artificial e tardio”, e que “só pode desabrochar em condições espirituais especiais, raramente reunidas, em todos os pontos opostas à liberdade de costumes característica da época moderna.”

Quem sabe amor rime mesmo com dor, como afirma Philip K. Dick, escritor norte-americano: “e não se pode sentir o sofrimento a menos que já se tenha amado antes. O sofrimento é o resultado final do amor, porque é o amor perdido.”

Mas o que sei é que a pressa mata o amor. A pressa é para os apaixonados. O amor é espera, em todos os sentidos. A ânsia pelo gozo imediato priva o gozo completo de uma vida. Contudo, não estou afirmando que o amor é calmo, parado, inerte; justamente porque é o amor quem nos tira da nossa ignóbil inércia.

Há diversas outras forma de matar o amor, mas não quero escrever sobre sua morte, e sim sobre a centelha que o traz à existência.

O amor pode estar em uma lágrima, em um gemido, em um sorriso ou em um beijo na testa. Quando há cumplicidade, o amor pode tudo. Se o diálogo falta, o amor enfraquece.

São várias as gradações do amor, como vários são os tipos e os sentidos do amor. É necessário respeitar cada um deles, afinal amor é transcendência.

Saramago, velho escritor comunista, já deixou escapar essa máxima na fala de um de seus tantos personagens: “…mais nos pertence o que veio oferecer-se a nós do que aquilo que tivemos de conquistar…”.

Só se ensina o que é o amor a quem a gente aprendeu o que é amar. E amar nada mais é do que aprender a ver o céu, a enxergar fundo dentro dos olhos do outro, a conhecer almas. Amar é especial, mágico, quase divino, mas deveras simples. Somos nós quem teimamos em complicar.

Há quem diga que o amor não passa de uma reação química, de uma troca de energia, de uma mistura de fluidos. Há até matemáticos com fórmulas para calcular a precisão do amor. Há os que fazem distinção entre amor e sexo. Há os que não fazem. Há quem ame muito e muitos. Há quem ame a um só. Há os quem têm medo de amar. Mas não há nada mais verdadeiro do que o título de um dos livros de Drummond: “amar se aprende amando”.

E para encerrar esse texto, só mesmo a estrofe última do poema “Ouvir Estrelas”, de Olavo Bilac, na qual ele responde ao imaginário amigo, que está duvidando da lucidez do poeta parnasiano: “amai para entendê-las!/ pois só quem ama pode ter ouvido/ capaz de ouvir e de entender estrelas”.

Até.


3 Comentários para “Um brevíssimo tratado sobre o amor”

  1. juliana

    adorei seu texto..parabens

  2. Milena Azevedo

    Olá, Prof. Renato!

    Nessas coincidências que às vezes a vida não explica, dessa vez fui eu quem encontrou o meu texto publicado em seu blog.

    Obrigada por ter sido ético e mantido a autoria do texto, prática que nos dias atuais infelizmente é negligenciada por muitos.

    Quanto ao texto em si, escrevi o que me veio à mente, não acredito que o mesmo precise “ser melhor trabalhado”, porque já está na medida do que eu queria dizer.

    Atenciosamente,
    Milena Azevedo

  3. Johnson

    Renato, mas tu tá xonado demais rapaz! Profundo demais isso ai. Parabéns, significa que você é um rapaz sensível. rs.

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